A história de Santa Rita foi repleta de eventos extraordinários, e um destes se mostrou na sua infância. Certo dia a criança estando no berço, foi muitas vezes visitada por algumas abelhas brancas que entravam e saíam de sua boca sem lhe causar nenhum dano.


A tradição nos diz que Rita tinha uma precoce vocação religiosa e que um anjo descia do céu para visita-la, quando ia rezar em uma pequena mansarda. Porém, ainda jovem, seus pais, já idosos, a prometeram em casamento a Paulo Fernando di Mancini. Dessa união conjugal entre Rita e Paulo nasceram dois filhos: (João Tiago) Gian Giacomo e (Paulo Maria) Paolo Maria (MAESTRO, 2012,p. 38-40).


Passados 18 anos, a vida matrimonial de Santa Rita foi tragicamente interrompida com o assassinato do marido, vitima de lutas politicas da época. Os filhos, ainda jovem, quiseram vingar a morte do pai, mas Rita, preferindo vê-los mortos que transgredindo a lei divina, pediu a Deus que os levasse para o céu antes de se mancharem com aquele crime. Morreram ambos, dizimados por uma peste que arrasou a Europa naquele período.


Viúva e sem filhos, Rita dedicou-se ao socorro dos pobres e enfermos. Ajudando a uns e outros com alimentos, conforto e trabalho. Sentido o chamado de Deus, procurou o convento das irmãs Agostinianas de Santa Maria Madalena, em Cássia, para se tornar religiosa, entretanto as regras daquele tempo impediam o ingresso de viúvas na vida religiosa. Certa vez, ainda de madrugada, Rita foi encontrada rezando na capela do Mosteiro, com portas e janelas fechadas. A Madre Superiora vendo naquele fato um desígnio do céu a admitiu como Irmã e, para provar sua vocação mandou que regasse, diariamente, um ramo seco de videira. Com o tempo, o ramo verdejou e floresceu. Essa planta milagrosa ainda se vê no Convento de Cássia, depois de mais de cinco séculos. É a videira de Santa Rita.


Um dia, rezando perante o crucifixo, Rita pediu a Cristo a graça de sofre com ele. Naquele momento, um espinho desprendeu-se da imagem e se fincou na sua fronte, abrindo uma chaga dolorosa e purulenta que a fez sofrer muito, durante mais de quines anos. Em 1450, ano santo, desejando ir a Roma com suas companheiras de hábito e não podendo faze-lo por causa da enfermidade Rita pediu a Deus a graça e a chaga fechou-se, tornando-se a abrir quando de volta ao convento. Muito jejum, muita penitencia, muita oração eram sua rotina de vida.


Gravemente enferma e vivendo num pobre catre no fundo de uma cela. Rita recebeu a visita de sua parenta Bona e lhe pediu que fosse ate Raccaporena e lá, em sua casa antiga, colhesse para ela um figo e um botão de rosa. Era pleno inverno, tudo sepultado sobre a mais uma densa neve, no entanto, Bona encontrou o figo e a rosa no jardim de Rita.


Santa Rita morreu na madrugada do dia 22 de maio de 1457, aos 76 anos de idade e 44 anos de vida religiosa. Na hora de sua morte, no campanário do convento, os sinos começaram a repicar festivamente, tangidos por mãos misteriosas. Naquele mesmo horário a chaga de sua fronte fechou-se e, no lugar do habitual mau cheiro que dela emanava, passou a exalar um discreto perfume, fenômeno maravilhoso que, sem interrupção, se repete ate hoje. Não houve enterro. Os restos mortais, parecendo o corpo de quem dormia, ficaram guardados na capela do Mosteiro, situada atrás do altar-mor, onde o espinho do crucificado a ferira (MAESTRO. 2012).


Por volta de 1577, antes da sua beatificação, foi iniciada a construção de um templo dedicado a Santa Rita, o qual ao ser concluído, em 1595, quando recebeu o corpo de Santa Rita que foi translado da capela do Mosteiro para ficar exposto á visitação dos fiéis ( MAESTRO, 2012, p. 137).


Um evento extraordinário que ocorreu no dia 22 de maio do ano de 1628 foi relatado por MAESTRO ( 2012, p. 140 ).


Os sacerdotes, os agostinhos e os cônegos haviam discutido sobe quem devia presidir a cerimonia solene do dia. Ao abrir a urna-relicário,  para que todos vissem seu corpo incorrupto, Santa Rita abriu os olhos. O Bispo de Spoleto nomeou uma comissão especial para estudar o fato.  As oito testemunhas interrogadas diante do tabelião declararam que Rita, nesse dia, “havia aberto os olhos”, mais ninguém se atreveu a dizer que contemplara o milagre. Por fim, foi declarada Bem-aventurada em Roma, no dia 16 de julho do ano 1628,na Igreja de Santo Agostinho, com a presença de vários cardeais.


Maestro (2012), contudo, afirma que santa Rita de Cássia foi beatificada pelo povo logo após a sua morte, tantos foram os milagres e as graças que milhares de devotos receberam de Deus, por sua intercessão. Um religioso agostiniano em Cádiz chegou a dizer, em um sermão, que ela era advogada de causas impossíveis, tendo por esse motivo ficado no século xx, foram colocados no seu santuário, em Cássia, mais se seiscentos ex-votos de agradecimento, sem contar os milhares de testemunhas dando graças s Santa Rita nas revistas que trazem seu nome.


O culto a Santa Rita espalhou-se, rapidamente, por toda a Itália e países vizinhos, cabendo a Espanha e Portugal a primazia. Nesses países, as respectivas famílias reais tomavam a Santa por padroeira particular. Dom João V, depois de curado, por intercessão de Santa Rita, de uma grave doença nos olhos, agradecido, custeou mais tarde a construção do atual convento das religiosas agostinianas em Cassia.  Com a vinda ininterrupta de portugueses para o Brasil, desde o seu descobrimento, veio também o culto a Santa Rita, e inúmeras igrejas lhes são dedicadas em todos os recantos do País.


A beatificação de Santa Rita acorreu no dia 16 de julho do ano de 1628; 180 anos depois da sua subida aos céus. Uma comissão papal declarou como milagre, em 1896, o perfume que ainda hoje exala do corpo de Santa Rita. Sua canonização aconteceu no dia 24 de maio do Ano Jubilar de 1900, pela Bula do Santo Padre, o Papa Leão XIII, após 453 anos da sua morte.


Segundo o Maestro ( 2012, p. 145), no processo de canonização, ao ser realizado o estudo das virtudes e dos prodígios da bem-aventurada Rita de Cássia, foram aprovados três milagres:


(...) o suave odor que se desprendia do cadáver de Rita, comprovado por uma multidão de testemunhas, e as curas de Elizabette Bergamini de Terni- menina de 7 anos que sofria de uma grave enfermidade em um olho e no rosto- e de Cosimo Pellegrine- que havia sofrido um desmaio e paralisia total, como consequência de uma doença crônica do estomago; ao levantar totalmente curado, disse que havia visto Santa Rita, a quem sua família o havia encomendado.


Maestro (2012,p.9) afirma que o símbolo de Santa Rita são as rosas que os agostinianos abençoam em suas igrejas no dia de sua festa, em 22 de maio. A Santa é retratada sempre com o espinho na fronte, a fim de recordar o estigma gravado por Deus, em resposta a um pedido seu por sua devoção á Paixão do Senhor.


No ano de 1981, sexto centenário do nascimento de Santa Rita, o Santo Padre, o Papa Joao Paulo II, questionando-se sobre a santidade de Santa Rita, afirma em carta:


“Não tanto pelos prodígios que a devoção popular atribui á eficácia de sua intercessão junto a Deus todo poderoso, mas pela extraordinária normalmente de sua existência de todos os dias, primeiro como esposa e mãe, depois como viúva e, por fim, como monja agostiniana”.


De fato, Rita é, ao mesmo tempo, a mulher forte e a virgem santa de que falam as Escrituras, e ela mostra em todos os estados de sua vida, e não apenas em palavras, que o caminho autêntico para a santidade consiste em seguir o Cristo ate a cruz.. Este é o motivo pelo qual eu quis apresentar a todos a sua figura doce e dolorosa”.


“E desejo que, inspirando-se em seu exemplo, as pessoas correspondam, cada qual no estado de vida que lhe é próprio, á vocação crista e todas as suas exigências de transparência, testemunho e coragem: é assim que vossa luz deve brilhar diante dos homens” ( TÉQUI, 2002,P.7).


A Bula de canonização fixou o dia 22 de maio, data da sua morte, para celebrar a memoria de Santa Rita de Cássia.


Em Coremas, as festas em homenagem á Santa começaram muito antes da sua canonização, motivo pelo qual os antigos habitantes do povoado escolheram o mês de outubro, preferencialmente, para celebrar sua memória, por ser a época em que os pequenos produtores rurais vendiam suas colheitas e podiam agradecer festivamente a padroeira pelos frutos do seu trabalho. Mesmo após a canonização, o costume foi mantido. 

Referência:

FREITAS, Irene da Conceição de; GUALBERTO, Maria do Socorro. História da Paróquia Santa Rita de Cássia. João Pessoa: Ideia, 2013. 210 p.

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