Jun 20, 2016

Pastoral da Saúde

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A Pastoral da Saúde representa a atividade desempenhada pela Igreja no setor da saúde, é expressão de sua missão e manifesta a ternura de Deus para com a humanidade que sofre. A Igreja, ao meditar a parábola do bom samaritano (cf. Lc 10,25-37), entende que não é lícito delegar o alívio do sofrimento apenas à medicina, mas é necessário ampliar o significado desta atividade humana.

A Pastoral da Saúde foi compreendida em Aparecida como sendo "a resposta às grandes interrogações da vida, como o sofrimento e a morte, à luz da morte e ressurreição do Senhor". E empenha-se em evangelizar com renovado ardor missionário no mundo da saúde, e contribuir para a construção de uma sociedade justa e solidária, a serviço da vida. Esta pastoral ainda procura oferecer oportunidade ao assistido, para refletir acerca da base valorativa de sua existência, e iluminá-lo com a luz de Cristo, sugerir formas criativas para bem viver, e ainda conviver com um dos maiores temores da humanidade: a enfermidade.

No Brasil, esta Pastoral conta com cerca de 80 mil agentes voluntários, grandes motivadores deste trabalho de evangelização. Ela se constitui em entidade de ação social, vinculada à CNBB, como sociedade cívico-religiosa, sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente, desde 09/05/1986, como Pastoral Social, organizada por tempo indeterminado, conforme seus Estatuto e Regimento Interno.

Seu objetivo geral é promover, educar, prevenir, cuidar, recuperar, defender e celebrar a vida ou promover ações em prol da vida saudável e plena de todo o povo de Deus, tornando presente, no mundo de hoje, a ação libertadora de Cristo na área da saúde. Sua atuação é em âmbito nacional e de referência internacional.

Esse trabalho evangelizador atua em três dimensões, sempre em consonância com as Diretrizes de Ação da CNBB. São elas: solidária, comunitária, político-institucional.

Pela construção de uma sociedade solidária, o enfermo, em seu leito de dor e angústia, necessita do apoio solidário. Os agentes, inspirando-se nas ações de Jesus, fazem chegar a estes irmãos o consolo do próprio Senhor, o Bom Samaritano.

Pela dimensão comunitária, a Pastoral da Saúde desenvolve ações de caráter educativo e preventivo para toda a comunidade em relação às enfermidades comuns. É uma educação para a saúde, que valoriza a sabedoria e a religiosidade popular, promovendo encontros educativos sobre temas e assuntos referentes a hábitos e estilos de vida saudáveis.

A dimensão político-institucional visa conscientizar o cidadão brasileiro de seus direitos e deveres no Sistema de Saúde, através da participação efetiva dos agentes nos Conselhos de Saúde, em âmbito local, municipal, estadual e nacional. Entre as ações desta dimensão também consta a aproximação com instituições de ensino e de saúde, para mostrar-lhes a importância da formação dos futuros profissionais com autênticos valores humanos e hábitos saudáveis de vida.

Entre os grandes desafios da Pastoral da Saúde, nos dias de hoje, destaca-se o de ampliar a concepção de cuidados devidos aos doentes. O avanço das técnicas médicas propiciou grande evolução no tratamento das doenças. No entanto, há o perigo de se submeter a vida à técnica, trazendo alguns problemas como a fertilização assistida, o aborto eugênico, a distanásia e a eutanásia, e sobretudo o perigo de se descuidar do devido calor humano àquele sofre.

Notas:

Fertilização assistida ou fertilização in vitro, conhecida popularmente como "bebê de proveta", é um processo no qual o óvulo é fertilizado pelo espermatozóide fora do útero da mulher, ou seja, em laboratório, in vitro.

Aborto eugênico é um tipo de aborto preventivo executado em casos em que há suspeita de que a criança possa nascer com defeitos físicos, mentais ou anomalias, implicando em uma técnica artificial de seleção do ser humano.

Distanásia (do grego "dis", mal, algo mal feito, e "thánatos", morte) é etimologicamente o contrário da eutanásia. Consiste em atrasar o mais possível o momento da morte usando todos os meios proporcionados ou não, ainda que não haja esperança alguma de cura, e ainda que isso signifique infligir ao moribundo sofrimentos adicionais e que, obviamente, não conseguirão afastar a inevitável morte, mas apenas atrasá-la algumas horas ou dias, em condições deploráveis para o enfermo. A distanásia também é chamada "intensificação terapêutica", ainda que seja mais correto denominá-la de "obstinação terapêutica".

Eutanásia é uma forma de apressar a morte de um doente incurável, sem que o mesmo sinta dor ou sofrimento. A ação é praticada por um médico com o consentimento do doente ou da sua família.

Na Carta Apostólica Salvifici doloris vemos uma bela interpretação da atuação paradigmática de Cristo junto aos doentes: "Cristo ensinou ao homem, ao mesmo tempo, a fazer o bem com o sofrimento e a fazer o bem a quem sofre".

Fazer o bem, dentre as ações a serem desenvolvidas pela Pastoral da Saúde, inclui também fomentar a participação da comunidade no controle social das políticas públicas. Esta ação significa a cooperação estreita da sociedade civil e organizada na condução das políticas públicas, pelas vias já asseguradas pela Constituição, nos Conselhos de Saúde ou nas Conferências de Saúde.

 

 Referência:

 

 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Campanha da Fraternidade 2012: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2011. P.94.

 

Os Agentes da Pastoral da Saúde

Na Igreja, comunidade sanadora, todos têm o encargo de agentes de pastoral. Os agentes da pastoral da saúde são os discípulos missionários de Jesus Cristo e de sua Igreja, envolvidos em sua missão de cura e de salvação. São eles: o bispo, os presbíteros, os capelães, os diáconos, os religiosos e as religiosas, e todos os leigos, porque "a missão de ser testemunhas do amor de Deus através da proximidade, do diálogo, da oração, do acompanhamento e exercício da caridade é a de todo batizado e, de maneira especial, dos que professaram o carisma da misericórdia".

No entanto, os profissionais de saúde cristãos, católicos (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais...) são os agentes naturais da pastoral da saúde. Deveriam ser convidados a assumir evangelicamente sua profissão, bem como liderança nas comunidades onde atuam nesta questão da saúde. Para se atuar nesta área, com eficácia, é preciso ter a formação especializada que eles têm. Neste sentido, temos um grande desafio pela frente. Tais profissionais devem ser exortados a assumirem o protagonismo pastoral na área da saúde, sendo animados a continuarem a missão de Jesus, assim expressa: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (cf. Jo 10,10).

Nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, encontramos recomendações importantes para aqueles que se dedicam ao serviço à vida:

a) defender e promover a dignidade da vida humana em todas as etapas da existência, desde a fecundação até a morte natural;

b) tratar o ser humano como fim e não como meio, respeitando-o em tudo que lhe é próprio: corpo, espírito e liberdade;

c) tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, recuperando a vida e a liberdade de cada pessoa, tendo presente as condições materiais e o contexto histórico, social, cultural em que cada pessoa vive".

Que estas diretrizes inspirem os profissinais da saúde a empreenderem atitudes concretas em prol da defesa, do cuidado e da promoção do imprescindível valor da vida, neste mundo marcado por tantos sinais de morte e inúmeras formas de exclusão.

Salientamos, também, que no imenso campo da Saúde Pública, encontramos uma multidão de profissionais de diversos credos que, com exemplar dedicação aos enfermos, suprem as deficiências que permeiam o sistema. A Igreja aproveita esta ocasião para manifestar seu agradecimento a todas estas pessoas que desenvolvem seu trabalho como  verdadeiros apóstolos, nas mais distintas regiões de nosso país, ao mesmo tempo em que os incentivamos a continuar seus trabalhos na certeza de que essas ações de amor e solidariedade fazem chegar aos pobres e sofredores a presença misericordiosa de Cristo.

 

 Referência:

 

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Campanha da Fraternidade 2012: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2011. P.99.

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